domingo, 31 de janeiro de 2010

Hoje, na Folha

O maior festival do teatro brasileiro

Em número de espetáculos, o Festival de Curitiba não tem rivais: este ano serão cerca de 400 montagens. Entre elas, 'Lamento de Dulcineia', de Montreal, e 'Música Para Ninar Dinossauros', com Mário Bortolotto no elenco

Curitiba - Depois de ter a imagem arranhada pelo cancelamento de um dos espetáculos mais procurados e esperados do ano passado - a peça ''Rock'n' Roll'' - o Festival de Curitiba fecha a grade de programação do evento em 2010 com um foco: evitar erros. Tragédias e comédias, só no palco. A produção, que acaba de recuperar um dos principais patrocinadores, a Petrobras, quer consolidar-se como uma vitrine do que acontece no teatro brasileiro. O festival, novamente, terá recorde de espetáculos na sua mostra paralela, o Fringe. São cerca de 380, e outros 30 na mostra principal.

Pela primeira vez, o número de peças de outros Estados no Fringe supera o paranaense. A grade completa só será divulgada no próximo dia 5, porém, o diretor geral do evento, Leandro Knopfholz. conversou com a FOLHA sobre as alterações do Festival em sua 19 edição, que acontece de 16 a 28 de março. Para ele, não há mudanças efetivas, mas uma ''tentativa de aperfeiçoamento''. ''O festival é um eixo e em volta dele orbita informação e o que está acontecendo na realidade do teatro nacional'', diz.

Ele sugere que os espetáculos do evento, sejam bons ou ruins, refletem a realidade brasileira. Longe de analisar somente a qualidade do repertório, ele lembra que o evento é um importante pólo de encontro para produtores, atores, diretores e, também, para quem gosta de assistir às montagens. A cada ano, a produção divulga aumento de público e, a julgar pelo número de peças do Fringe, plateia não falta. Embora a cada ano também, uma série de espetáculos da mostra paralela sejam canceladas por falta de audiência.

Para tentar melhorar essa realidade, este ano o Fringe passa por mudanças. Algumas salas terão curadoria, ou seja, serão programadas de acordo com o gênero do espetáculo. A ideia, segundo Knopholz, é que cada vez mais o público saiba o que encontrar quando chegar a determinado espaço - comédia, experimentação ou teatro clássico. O diretor admite que faltava informação sobre as peças, o que tornava o Fringe uma atividade de risco, mas acredita que a divisão por estilos possa ajudar a reduzir as críticas. Além disso, este ano diretores de peso como Felipe Hirsh e Cibele Forjaz, decidiram integrar a mostra paralela, que não dá contrapartida financeira para os participantes.

Na Mostra Contemporânea, Knopholz reforça que não há apostas em favoritos, assim como não admite que a peça cancelada no ano passado era a mais esperada (embora o espetáculo tenha sido um dos primeiros a ter os ingressos esgotados). Ele acredita, sim, que o festival está ganhando cada vez mais credibilidade. ''Todos se mostram satisfeitos em participar'', comemora. Mas alguns apoios nacionais importantes ainda estão longe de acontecer. Como o da Funarte, por exemplo. A fundação tem tradição na parceria com os grandes eventos culturais na cidade, entretanto, nunca apoiou o Festival de Curitiba. ''Todos os anos eu converso com eles, mas só escuto críticas ao Fringe e sugestões de como melhorar a mostra paralela'', revela o diretor, embora sem descartar a possibilidade de uma parceria. ''Acho que eles (a Funarte) estão mais sensíveis ao evento''.

E o que o público pode esperar desta edição do festival? Entre as peças já confirmadas estão o ''Lamento de Dulcinéia'', de Montreal, única atração internacional da Mostra Contemporânea (no Fringe, já estão confirmados espetáculos de Quito, França, Portugal, Angola e Equador) e ''Música para Ninar Dinossauros'', que tem no elenco o ator e diretor Mário Bortolotto e o quadrinhista Lourenço Mutarelli. Essa será a estreia de Mutarelli no palco e a primeira participação teatral de Bortolotto depois que o londrinense radicado em São Paulo levou três tiros durante um assalto.

O evento, que mapeou 170 salas de teatro na cidade este ano, vai apresentar ainda a segunda edição do Gastronomix, evento de gastronomia coordenado pelo premiado chef Celso Freire. No ano passado, o sucesso do evento fez com que a comida elaborada pelos profissionais mais renomados do Brasil esgotasse em menos de duas horas, causando um certo tumulto e decepção. ''A gente erra e aprende a cada evento. Só que o festival acontece uma vez por ano e a gente só tem chance de consertar na próxima edição'', conclui Leandro. A hora chegou.

Katia Michelle
Equipe da Folha

sábado, 30 de janeiro de 2010

Sobre o amor


Amor é mais ou menos isso: acordar no sábado cedinho pra levar a filha na pré-estréia de High School Musical - O Desafio (ou seja, a produção tupiniquim da série adolescente americana. Se a original é uma piada, imaginem... imaginem...), pegar fila, ver a Wanessa Camargo ao vivo e ainda achar bonitinho a menina compenetrada, de pernas cruzadas, sussurrando:
- Mãe, eu não tô chorando. Só estão caindo algumas lágrimas, mas nem tá fazendo barulho. Você nem tá escutando, né?
(O choro silencioso aconteceu quando a atriz principal com cara de bobinha leva um bolo do ator principal com cara de bobão. Agora, se a menina se emociona assim aos 6, imaginem... imaginem...)

Ora, panquecas


Comprei uma panquequeira. Você não imagina como isso pode mudar a rotina de uma casa. Por aqui, fazemos panquecas do café da manhã ao jantar. Com manteiga, queijo, mel, carne, cogumelos. A receita, garimpada no google, é ótima. Um copo de farinha, um copo de leite, três ovos, uma colher de óleo e sal a gosto. Já decorei. Mas sozinha, tenho preguiça de fazer. A quem vou exibir minha exímia capacidade de virar as panquecas sem deixá-las cair? Malabarista nata. Um dia ainda vou a um programa de auditório. Então, dei uma nova função ao utensílio e logo ele virou uma omeleteira para uma porção só. Funciona assim: bata dois ovos caipiras, coloque raspas de queijo gorgonzola, rale um pouco de abobrinha branca, noz moscada e mix de pimenta moída na hora, sal a gosto e tcham ram. Despeje como uma panqueca. Descubra que não vai conseguir virar como a original e então dobre ao meio. É um jantar generoso. E bem, bem bom. Não dá pra eu colocar foto aqui pra provar. Minha câmera pifou. Mas eu garanto.

Do dia a dia


Não há decepção que uma generosa porção de sorvete, acompanhada de uma maratona da série favorita, não cure.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Mãos atadas


O sonho foi assim: eu estava no carro e um moleque se aproximou. Vi pelo retrovisor, mas não deu tempo de travar a porta (eu sempre esqueço de travar). Ele abriu e eu comecei a chutá-lo. Ele tirou um facão e cortou as minhas mãos. Luz. Escutei minha filha me chamando, pedindo para eu ir pra cama. Estava no sofá da sala, minha morada nas noites de insônia. "Obedeci" a menina, mas não voltei a dormir. Já levei uma facada aos 15 anos, tentanto livrar uma prima de um assaltante. Um moleque. Ele mandou ver num lugar bem pertinho do coração. Luz.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

sábado, 23 de janeiro de 2010

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Dúvida

Só hoje, li três textos que terminavam com a frase "Alguém duvida?".

Um dia após o outro


Todos os dias pela manhã, ao abrir os olhos, ela precisa fazer um esforço para lembrar onde está. O dia, a hora e os afazares nunca são coisas que surgem fácil. É preciso esforço. Todos os dias pela manhã, ela precisa lembrar quem é. Se e é preciso levantar ou pode aninhar-se e jogar longe o relógio. O despertador nunca toca. Só dentro dela. Assim como não existem monstros sob a cama. Só dentro dela.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O processo



Aí quando está quase, quase tudo pronto pra assinar a documentação, a moça me liga: "Sabe o que é, a sua carteira de identidade venceu dia 18 de janeiro. Vamos ter que adiar" Hã? Como assim? O processo se arrasta desde julho. Como ninguém notou isso antes? Tudo bem, mantenho a calma e ligo para o sindicato para tentar resolver. "Sabe o que é? É que a emissão de carteiras está suspensa até que o modelo novo fique pronto... "Alguém tem uma aspirina?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Perfil Folha



Todas as cores do mundo

Com humor e desenhos, o paranaense Nilson Sampaio conquista cada vez mais espaço

Ele costuma dizer que aprendeu a desenhar antes mesmo de aprender a falar. Pode não ser exagero. Com apenas cinco anos, o paranaense Nilson Sampaio já negociava seus desenhos com amigos da família. Foi com essa idade que trocou um de seus trabalhos por uma tela e tintas e começou a pintar. A partir daí, fazer algo diferente para viver estava fora de cogitação. Sampaio formou-se na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, vendeu muitos quadros e expôs em muitas galerias antes de ter seu nome reconhecido nos salões de humor brasileiros.
É que para juntar o desenho com humor demorou o tempo necessário para o refinamento da ironia. Hoje, ele coleciona histórias bizarras e bem-humoradas de vida, muitas delas expressadas em quadrinhos e no traço peculiar do seu desenho que começa a ganhar o mundo. Vencedor do Salão de Paraguaçu Paulista em 2005, Sampaio já expôs na França, Itália, Bélgica e Madri.
Na Espanha ficou por cinco meses em uma viagem de pesquisa. Chegando lá, encontrou na praça da capital um caricaturista que o abordou, perguntando: ''Quer fazer uma caricatura?'' Quis. Sentou com papel e caneta e fez um desenho do artista que o abordou. Até hoje são amigos. A maneira original de abordar e contar histórias, aliás, incluiu alguns nomes famosos no seu círculo de amigos.
No salão de Foz do Iguaçu, por exemplo, aproximou-se da mulher de Luiz Fernando Veríssimo, enquanto aguardava a imensa fila de autógrafos para tentar falar com o escritor. Conseguiu, e ainda fez piada: ''Adoro aquele seu livro 'Como fazer amigos e influenciar pessoas'. Mudou minha vida''. Veríssimo, claro, disse que não havia escrito o livro e acreditou na brincadeira até Sampaio desfazer o mal-entendido - feito propositalmente - com mais piadas. Depois disso se encontraram outras vezes e o escritor famoso sempre lembra do episódio.
Com Ziraldo foi semelhante. Fez o cartunista ilustre saber que ele tinha interrompido as publicações dos seus personagens, Cuca & Racha, quando assumiu um cargo no Jornal do Brasil. Ziraldo achava que o autor das tiras, Sampaio, era um espanhol e queria dar mais espaço aos brasileiros. Para desfazer o equívoco e desculpar-se com o paranaense, escreveu um prefácio do livro de tiras dos personagens - um casal de baratas - que o autor pretende publicar ainda este ano.
As tiras, apenas parte do trabalho do autor, já foram publicadas no Paraná, Rio Grande do Sul e em outros periódicos brasileiros, mas agora ele está focando seu trabalho nas ilustrações. Desde 2004, ilustra cartilhas educativas de uma empresa de telecomunicações. A cartilha já foi abraçada por fundações como a de Xuxa Meneghel e da Rainha Sofia. Por conta disso, o blog em que ele divulga seus trabalhos (www.cucaeracha2.blogspot.com) já chegou a ter 150 mil acessos em um único dia.
Nascido na cidade de Alvorada, Sampaio veio para Curitiba com apenas cinco meses e, portanto, já se considera um curitibano. É na capital que ele mantém o estúdio onde produz os trabalhos autorais e outros publicitários. Quando o assunto é mercado, aliás, o humor reduz, mas não expira: ''Acho que piorou nos últimos tempos, mas dá para sobreviver''. No ano passado, ele teve seu trabalho incluido no livro Tiras de Letra, da editora paulista Virgo.
Em 2010, além de publicar o livro ainda inédito dos personagens Cuca & Racha, quer investir em publicações didáticas e já prepara nova exposição de desenhos para abril. Aos 34 anos e com um futuro colorido pela frente, é de se esperar coisa boa. Para Sampaio, ainda há muitos lápis para serem apontados.

Katia Michelle
Equipe da Folha

domingo, 17 de janeiro de 2010

Saldo (positivo) do final de semana



Ah, e uma enxaqueca... Mas uma coisa não tem nada a ver com as duas coisas... acho...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Interrogação


E de todas as perguntas, uma sempre me intriga: por que sempre escolhemos o caminho mais difícil?

Perguntas


Por que andam as ondas me indagando sobre as mesmíssimas perguntas?

Por que não nasci misterioso? Por que cresci sem companhia?

Das tais virtudes que esqueci dá pra fazer um terno novo?

Onde está o menino que fui: anda comigo ou evaporou-se?

Sabe que nunca fui com ele nem ele comigo tampouco?

Por que estivemos tanto tempo crescendo para essa ruptura?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Zilda Arns

No ano passado, entrevistei a Dr. Zilda Arns duas vezes. A primeira era para um projeto de um livro sobre personalidades de Curitiba. Ela foi muito acessível e simpática. Já a conhecia de outras ocasiões, mas dessa vez, falando sobre sua vida e ações fiquei encantada com a disposição da senhorinha. Tanto que alguns dias depois, quando tive que entrar em contato novamento com ela para uma entrevista para a revista Mundo Escola, ela ainda se lembrava da nossa conversa anterior. Me atendeu prontamente, como fazia com dezenas de jornalistas que a procuravam sempre e mais uma vez foi super atenciosa. Ficou pelo menos uma hora contando sua experiência com os professores que marcaram sua história. Falou sobre a irmã Norberta, uma professora que a ensinou e aos irmãos ainda no interior de Santa Catarina, onde Zilda e a família viveram, durante a Segunda Guerra Mundial. Lembrou que, mesmo depois da escola ter sido fechada por conta da guerra, a professora burlava as regras e ensinava no escuro. "Eu ficava sentada no pé da mesa porque não tinha lugar pra mim, mas foi assim que aprendi a ler e a fazer contas", contou. Aprendeu bem mais. E ensinou também.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Mothern



O Sampaio me mandou a foto da cadelinha (dele) que adotou um pintinho. Não desgruda do bichinho. Amor de mãe, né?

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O paraíso

"Mãe, aqui é o paraíso?"

(quando chegamos nas cataratas. uma delícia de passeio)

Amigas


Helena tem um grupinho de amigos que conhece desde bebê. Então, finais de semana, fins de tarde e outros programas infantis ficam relativamente fáceis, já que conheço todas as mães. É a "turma das mães amigas" como diz a Marina. No ano passado, porém, a menina encasquetou com uma amiguinha da escola que eu nem conhecia e tampouco aos pais. Pediu pra eu ligar. Eu disse que não tinha o telefone. No dia seguinte ela apareceu com o número da menina. Eu fui enrolando numa antipatia típica dos adultos e toda hora dava uma desculpa. Até que ela se saiu com essa: "Mãe, se você não tentar nunca vai conseguir". Me convenceu e liguei. A amiguinha veio passar umas horinhas em casa depois da escola. Uma graça. Ontem, Helena ligou para ela (sim, ela já liga sozinha) e a convidou para dormir em casa. Ouço conversinhas e risadinhas o tempo todo. Elas não ligam a TV. Desenham, brincam, conversam e não se desentendem nunca. Agora estão desenhando e inventando histórias que me fazem sorrir. Por que com as crianças é tudo mais fácil, enquanto os adultos têm tanta resistência em fazer novos amigos?

Jejum

A raiva é um inseto que corrói tudo por dentro. E tem muita fome.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

2010


Que em 2010 eu perca o medo de trocar lâmpadas. E as coisas se iluminem. Amém.